terça-feira, 25 de agosto de 2015

volta

para retomar este projeto
mais de 3 anos depois

a fonte do título:

São as aves que caem do telhado como o peso do mundo
Cabe na mão o que não causa avaria
O peso do mundo
Não causa
Nada que eu não deva suster
Com dois dedos
Com dois dedos
Os dedos da mão

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

rothko

primeira exposição de rothko, na withechapel gallery (uk), em 1961. fotografia de sandra lousada. fonte.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

mimesis

porque às vezes é preciso bem pouco








da série mimesis, de bárbara e michael leisgen - 1973
mais informações aqui

sábado, 21 de janeiro de 2012

Meia dúzia de acontecimentos ordinários - Parte II





Foi preciso contar brevemente a história da Batalha do People’s Park e de sua “terça-feira sangrenta” antes de irmos aos Six Ordinary Happenings porque a forma desta proposta está diretamente ligada ao contexto violento em que esteve inserida. Nesse ambiente altamente politizado, as ações elaboradas por Kaprow para serem executadas por um grupo de voluntários podem parecer levianas ou inclusive irrelevantes. Entretanto, a ação deixar uma pilha de pratos em alguma esquina da cidade, fotografá-la, e retornar no dia seguinte para fotografar a mesma esquina - agora sem a pilha de pratos - transforma-se, na invisibilidade de sua realização, em uma contraposição extrema, uma alternativa às bombas de gás lacrimogêneo, às baionetas e ao sangue que se derramava pela cidade.



Doação

pilhas de pratos deixadas nas esquinas das ruas
fotografadas

dia seguinte, fotografado.


Em um momento em que até mesmo o movimento hippie levantava-se, gritava e envolvia-se na onda de agressividade, atirando tijolos contra os policiais, praticando e padecendo daquela batalha, Kaprow mostra verdadeiro engajamento em uma contracultura radical, atuando politicamente através de uma propo sta poética experimental, sem colocar as mãos em armas.




Forma


sapatos, corpos
nas ruas, calçadas, áreas
Spray pintando suas silhuetas
reportagens e fotos em jornal.


Adentrando o campo da poética kaprowniana, podemos observar que estes seis pequenos happenings pautam-se pela tentativa de introduzir atividades realmente cotidianas, que não se pareçam absolutamente com arte (ou, na terminologia que o autor apresenta em “A educação do an-artista”, não se pareçam com arte-arte), em um contexto que também não é artístico (pense que estamos em 1969, e a arte de guerrilha, os terrorismos poéticos e as intervenções são em muitos fatores filhos das experimentações deste período), tendo como foco elementar a vivência de uma experiência interessante por parte dos participantes.

Propósito

Fazendo uma montanha de areia
movendo-a repetidamente
até que não haja mais montanha
gravando os sons do trabalho
regravando-nos
até que nã o haja mais sons do trabalho
ouvir as fitas


Não podemos negar que Kaprow, como educador e leitor de John Dewey, ao planejar um happening acabava elaborando ações que proporcionassem vivências mais que simplesmente especiais, mas que de alguma maneira proporcionavam a construção de conhecimentos em torno do tema trabalhado. Ele declara numa entrevista realizada em 1968 que, como artista, estaria preocupado com a falta de objetivo dos happenings, porém como educador teria a clareza desse objetivo.



Caridade

Comprando pilhas de roupas velhas
Lavá-las em lavanderias 24 horas

Dando-lhes de volta à loja de roupas usadas.


Logo, a atuação política direta não está no centro da proposta, mas a possibilidade de uma vivência através da qual os participantes poderiam construir um saber acerca dos acontecimentos da Berkeley que encontravam ao sair para realizar suas ações traz um caráter de intervenção social à obra, que acaba por mostrar-se não-ordinária - exceto aos olhos do engajado militante.

Pose

Carregando cadeiras pela cidade
Sentando aqui e acolá
Fotografado
Fotos deixadas no local.
Continuando.


Muito bem!

Estacionando carros em zona proibida
Esperando por perto um policial
Foto instantânea do bilhete recebido
Relatório pormenorizado
Enviar fotos, relatórios e multas à polícia.


Como um bom exemplar da obra de Allan Kaprow, Six Ordinary Happenin gs nos mostra que atividades cotidianas, organizadas intencionalmente pelo artista, transformam-se na possibilidade de experiências extraordinárias.



Clique sobre as imagens para vê-las em tamanho grande.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Meia dúzia de acontecimentos ordinários – parte I



Na primavera de 1969 a cidade de Berkeley, na Califórnia, viveu dias sangrentos. Um grande terreno, vizinho ao campus da Universidade da Califórnia em Berkeley, que fora desapropriado por sua Reitoria com o apoio do governo local primeiramente com vistas a servir à construção de moradias estudantis e posteriormente destinado à futura construção de um grande estacionamento e de quadras esportivas, estava então completamente abandonado. Sequer o entulho produzido pela demolição das residências que antes figuravam ali - cujos moradores haviam sido despejados - fora recolhido. A universidade alegava falta de verbas para levar adiante seus vultosos projetos de expansão.

Preocupados com a sujeira e as demais conseqüências que um espaço naquele estado poderia acarretar ao entorno, os comerciantes e moradores das redondezas planejaram uma intervenção positiva no terreno, e em assembléia aprovaram a construção de um parque popular. A universidade, por sua vez, votou contra. Ainda assim, o jovem Stew Albert, um dos mais lembrados entre os ativistas Yippies, redigiu um artigo para um jornal de Berkeley que se destinava a divulgar a contracultura, em que conclamava os moradores a colaborarem no mutirão de construção do parque.


Dois dias depois da publicação do artigo de Albert no Berkeley Barb, mais de 200 pessoas compareceram ao local a fim de participar do mutirão, e antes do meio-dia já estava pronto o parque, conforme plano desenvolvido previamente de maneira colaborativa. Estima-se que mais de 1000 pessoas tenham participado direta e indiretamente da ação, com doação de dinheiro, comida, mudas de árvores, ferramentas. E surgia o People’s Park.


Oito dias após a construção do parque, o vice-chanceler Earl F. Cheit, apresentou um projeto de ocupação do espaço que previa a construção de um complexo esportivo e, é claro, o projeto foi absolutamente rejeitado pelos agora ativistas pró-People’s Park. Então, Cheit reuniu-se com os jovens ativistas, e deu-lhes o prazo de três semanas para que apresentassem uma contra-proposta – prometendo que, durante esse prazo, o parque continuaria ali, como estava. E de fato ele continuou sendo desfrutado à revelia pela população – unindo hippies, radicais, cidadãos comuns. A construção do parque progredia, e a universidade optou por evitar conflitos com a população que dele usufruía.


Entretanto, os fatos em torno do parque foram a gota d’água para que o governador da Califórnia interviesse na questão. Ronald Reagan tivera em sua plataforma de campanha o slogan “clean up the mess in Berkeley” (limpar a bagunça de Berkeley) e quanto ao People’s Park havia sido desde o princípio um crítico severo da administração do campus, referindo-se à universidade como um “paraíso de comunistas e depravados”. Para Reagan, a ocupação era um golpe da esquerda americana que pretendia atentar contra o direito à propriedade privada.



Assim, em 15 de maio de 1969, o governador enviou a Berkeley 300 membros da Guarda Nacional que destruíram o parque, expulsaram aqueles que estavam por lá, instalaram uma grande cerca a fim de impedir a entrada de possíveis visitantes ou manifestantes e ocuparam os arredores do campus, sem previsão de retirada.

Estava instaurado o conflito, que não terminou antes do envio de mais 2.700 homensda Guarda Nacional para a cidade, a morte de um estudante e a cegueira definitiva de um carpinteiro através dos disparos das espingardas dos homens de Reagan, e a marcha de 30.000 cidadãos de Berkeley em favor da permanência do parque e pelo fim da ocupação da cidade, quinze dias após seu início.

Era esse o cenário que Allan Kaprow encontrava na cidade para a qual havia se mudado há poucos meses a fim de trabalhar, em conjunto com o pedagogo extremo na defesa de uma educação "alternativa" Herbert Kohl, no projeto educacional interdiscisplinar “Other Ways”. É nesse contexto que ele irá desenvolver com os estudantes da rede de ensino pública de Berkeley um trabalho intitulado Six Ordinary Happenings (seis acontecimentos/happenings ordinários, no sentido de usuais, habituais, cotidianos) que seria concluído em 23 de março – pouco após o início da invasão, e logo antes de seu término.



Six Ordinary Happenings é o tema do nosso próximo post.

Working Artists and the Greater Economy (W.A.G.E.)



Working Artists and the Greater Economy (W.A.G.E.), é um coletivo americano composto por artistas das áreas de artes visuais e performance, curadores independentes e trabalhadores das artes em geral que lutam para serem remunerados pelo seu trabalho. O grupo tem um blog em que os visitantes são chamados a colaborar com suas histórias de propostas de trabalho, digamos, pouco amigáveis...

Segue uma tradução do W.A.G.E wo/manifesto, 2008:

"W.A.G.E. trabalha para chamar a atenção para as desigualdades economicas que existem na área das artes, e para resolvê-las.

W.A.G.E. foi formado porque nós, como artistas visuais e performáticos e curadores independentes, fornecemos força de trabalho.

W.A.G.E. reconhece a irresponsabilidade organizada do mercado da arte e do seu apoio instituticional, e exige o fim da recusa de pagar os honorários para o trabalho que somos chamados a dar: preparação, instalação, apresentação, consultoria, exibição e reprodução.

W.A.G.E. refuta o posicionamento do artista como um especulador e clama pela remuneração do valor cultural no valor do capital.

W.A.G.E. acredita que a promessa de exposição é uma responsabilidade em um sistema que nega o valor do nosso trabalho. Como uma força de trabalho não-remunerada em um robusto mercado de arte em que alguns lucram muito.

W.A.G.E. reconhece uma exploração inerente e exige compensação.

W.A.G.E. convida ao mapeamento das desigualdades econômicas que são dominantes, e a prevenção pró-ativa do trabalhador de arte quanto às habilidades para se sobreviver dentro da grande economia.

Nós exigimos pagamento por tornar o mundo mais interessante."

Objeto-fotografia



Coleções contemporâneas, 2010.


Sem título, 2010.